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Foto impressa é outra coisa!

Nasci no distante ano de 1979. Muitos dos que estão lendo esse texto, nem imaginavam em nascer vinte anos depois que eu nasci. Para quem não sabe, nos quinze anos depois do meu nascimento, ainda não havia internet, TV digital, wi-fi, câmera digital, telefone celular... as coisas eram muito mais demoradas, porém, eram muito mais românticas.

Nani Oliveira impressa, em tamanho A4

Meu pai tinha uma Yashica 35MF, analógica, que tá aqui comigo, na minha prateleira de lentes, até hoje. Ás vezes iria rolar alguma coisa fora do cotidiano na minha família, vinha o seu João, com a câmera no bag de couro, não deixava nem eu e nem a minha irmã encostarmos muito, afinal, uma câmera japonesa era cara demais, e não era para crianças (hoje minhas sobrinhas de 5 anos têm tablet e celular!).


Passava o aniversário, ele dava uns quatro ou cinco cliques, passava uns meses, íamos para o sítio, fazia mais uma três fotos, até fechar um rolo de 12, 24 ou 36 poses (entenderam de ondem vêm os números dos meus pacotes de fotos?).


Depois disso tudo, ele rebobinava o filme, colocava no potinho de plástico, e um dia, no horário de almoço do trabalho dele, passava em algum laboratório da Kodak ou CURTI, e mandava revelar. Não era instantâneo, ele passava na saída do trabalho e pegava o álbum de fotos, com aquela família loira e feliz na capa, e ao chegar em casa, era o evento: minha mãe, minha irmã, meu irmão (pequeno), meu pai e eu sentávamos para ver as fotos. Fotos que nem lembrávamos que haviam sido feitas, de tamto tempo que estavam aguardando serem reveladas. E passava de mãos em mãos. Organizávamos o álbum, e víamos novamente. Descíamos com o álbum para mostrar as fotos para os amigos, e eles faziam isso também, quando os pais revelavam as fotos.


Fernanda Pupo, impressa em tamanho de A4

Hoje quando saio para uma sessão de fotos de uma hora, volto para casa com 100 / 150 fotos no cartão de memória (na minha menor sessão, no pacote que entrego 12 fotos tratadas, para a cliente / modelo). Confesso que não dá para ver as 150 fotos. Em um final de semana com uns quatro ou cinco ensaios, produzo mais de mil fotos! As moças fazem as curadorias delas, eu escolho umas para mim, ainda assim, ficam lá, 24, 30, 36, 50 fotos tratadas de cada ensaio.


Difícil eu sentar no PC para ver fotos que fiz, prefiro abrir uma rede social minha, ou meu site, e ver algo mais condensado, mais resumido e aleatório. E o mesmo vale para fotos pessoais, fotos de viagens, fotos da família... toda família que se preze, que passou pelos anos 70, 80 e 90, tem uma caixa de fotos espalhadas, que tu sai sorteando as fotos para apreciá-las.


No final do ano passado, resolvi mandar imprimir (farei isso mensalmente) quinze fotos minhas de sessões no tamanho A4, em papel fosco, para eu ter esse prazer de coloca-las em uma caixa grande, e um dia, simplesmente pegar e ver o que fiz.


Devo dizer a vocês que a sensação é deliciosa, é OUTRA COISA! Senti isso pela primeira vez quando recebi as fotos do projeto "Fotos por Amor", que fiz no ano passado, da Jaqueline Kravtchenko, em 30x40cm. Fiquei bobo em ver fotos minhas impressas, tão nítidas, tão mais bonitas do que no monitor ou no celular, nas minhas mãos. Percebi que é algo que todo fotógrafo precisa fazer: imprimir suas fotos. Não todas, mas as que te chamam mais atenção.


E isso não vale só para fotógrafos, vale para quem posa em uma sessão, quem viaja, quem teve uma festa e registrou... dê um jeito de imprimir essas fotos, ou faça um revista de fotos, ou um foto-álbum! Você vai ver que as fotos ficam muito mais bonitas impressas em um papel de qualidade, você olhará a foto com muito mais atenção, apreciará muito mais... não vai simplesmente passar o dedo nela, para ver a próxima.


#fotoimpressa #impressão

Fernando De Santis - Todos os direitos reservados

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